Sobre o dia em que a Gretchen me deu uma lição de moral

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Esses dias, só se falava de uma coisa no meu Facebook: a participação da Gretchen no clipe da Katy Perry.

Yeap, da Gretchen. Aquela que virou um dos nossos memes mais queridos. A rainha do trash 80’s. A caricatura.

Eis que na terça-feira de manhã, vi a galera comentando sobre o clipe e fiquei com preguicinha de assistir. À noite, estavam falando tanto que eu resolvi abrir o link pra ver qual é que era.

Abri já esperando sentir aquele misto de vergonha alheia com alívio por não ser eu a me expor com aquela roupa, aquela maquiagem e aquelas plásticas para o mundo inteiro. Por não ser eu a sensualizar explicitamente no auge dos meus quase 60 anos.

E, olha, eu me surpreendi.

Não porque a Gretchen estava fazendo algo totalmente diferente do que ela fez nos últimos 30 anos. Ela estava fazendo exatamente o que eu já esperava ver.

Me surpreendi porque eu me deparei com uma lição de moral onde eu menos esperava. Uma daquelas que deixam mais esperta do que peteleco ardido na orelha.

Primeiro que, quando eu abri o clipe, dei de cara com todos os preconceitos que eu ainda carregava.

Eu fico aqui lutando diariamente para que as mulheres se aceitem mais, ensinando cada uma a encontrar o que tem de bonito e a se colocar pro mundo da forma que mais faça sentido pra si… Eu fico aqui falando sobre como bonito e feio são uma questão de contexto, encorajando todo mundo a experimentar e a ligar menos para a opinião dos outros – enquanto ainda olhava para alguém como a Gretchen como se ela não merecesse o mesmo respeito.

Foi uma merda perceber isso, viu? Eu não me orgulho nem um pouco, mas eu fico feliz de ter finalmente tido essa consciência.

E a lição de moral que a Gretchen me deu não parou por aí.

Veja bem, ela se mostrou muito mais inspiradora do que qualquer pessoa que atingiu o sucesso pelos meios convencionais – seja lá o que sucesso signifique.

O ponto é: enquanto a gente que dá risada dela e fica aqui desistindo dos nossos sonhos na metade do caminho ou sofrendo por medo do que os outros vão dizer, a Gretchen não tá nem aí.

Eu devo conhecer 1/10 da história desta mulher e o que eu conheço já me parece impressionante. Já deixou bem claro que não tem uma alma que tenha feito a criatura desistir. De na-da.

Ela casou 20.832 vezes porque nunca desistiu do amor – eu fiquei sabendo que ela finalmente parece estar em um relacionamento bacana, mas eu não tenho dúvidas que se aos 90 ela decidir que vai precisar casar pela 20.833ª vez, ela vai fazer isso. Enquanto isso, conheço muita gente de 20 que não arrisca nem um sorrisinho de canto de boca porque tem medo de quebrar a cara.

Ela tá com quase 60 anos e continua investindo na carreira porque acredita que ainda dá um caldo. Tá ganhando dinheiro e projeção internacional já no momento que muita gente veria como a prorrogação da vida e penduraria as chuteiras. Ela tá fazendo e acontecendo da maneira que ela pode e a gente aí achando que tá no direito de dar risada enquanto deita no sofá e fica só vendo videozinho no Facebook mesmo.

Por falar em direito, a gente adora zoar a Gretchen porque né… 58 anos e tá aí usando roupinha colada e rebolando como se tivesse 20.

E quem disse que tem idade pra sensualizar? Por que a menina de 20 pode e a de 60 não pode mais se ver bonita, se ver sexy? Repara como esses padrões são impostos de um jeito que é complicado perceber?

O estilo da Gretchen tá bem distante do meu e da esmagadora maioria das minhas clientes e alunas. O jeito dela ser e o que ela faz também foge bastante da minha realidade. Aposto que você que tá me lendo também não a vê exatamente como figura positiva – e por isso tô aqui dividindo esse meu momento de epifania com você.

E eu não tô te dizendo que você tem que sair por aí rebolando e sensualizando e fazendo nenhuma das coisas que a Gretchen faz. E eu até acho que essa situação dá pano para que algumas questões ali sejam problematizadas – embora essas, no que diz respeito à Gretchen, não sejam da minha conta. Mas eu quero te sugerir se permitir ser um pouco mais livre e um pouco mais persistente como ela. Eu quero sugerir que você repense os seus conceitos de certo e errado.

Absolutamente tudo na vida é uma questão de ponto de vista e, às vezes, a gente só precisa se permitir olhar para os outros lados de cada questão.

Também te convido a repensar tudo aquilo que você desiste de fazer muito antes de começar.

Inclusive, trazendo para o exercício do estilo, em todas aquelas combinações bem, bem básicas que ficam no armário por causa de um detalhezinho diferente. Aquela mistura da blusa de listras com o sapato vermelho, o brinco verde na roupa branca e o tanto que você se reprimiu quando quis comprar uma saia um pouquinho mais colorida do que as que normalmente estão no seu armário.

COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER QUANDO

Tá se sentindo perdida

Se você perdeu o babado da semana e não entendeu nada, clica aqui pra ver o tal do vídeo.

Quer uma inspiração mais “convencional”

A gente precisou dar uma pausa nos vídeos de quarta-feira lá no canal, mas as etapas da consultoria que eu fiz para a Flavia Ferrari continuam indo ao ar aos domingos. Nesta semana, mostramos como foi a etapa de lookbook – a última parte prática antes da entrega do material final. Clica aqui para assistir.

PRA SE INSPIRAR

Eu sei que você zoa mas não consegue ficar parada quando toca essa aqui. Então dá o play e sai dançando pela sala – mais ninguém no mundo tá te vendo!

 

*este texto foi originalmente enviado para as mulheres que assinam a minha newsletter. Se você também quiser receber textos especiais e saber de cursos, workshops e outras novidades antes de todo mundo, além de desentulhar esse armário, baixe o e-book e assine a lista aqui.