As semanas de moda acabaram e só se fala em uma coisa: o inquérito para investigar a prática de racismo no SPFW.
Eu acho muito engraçado um país em que a população é predominantemente negra ainda ser racista… Aliás, eu acho engraçado que sempre as maiorias é que sofrem todos os preconceitos. Qual o motivo desse padrão de beleza deturpado e destrutivo?
Isso é simplesmente irracional. As marcas (sejam famosas, ou não) existem em função do consumidor. Todo o custo envolvido na fabricação de uma peça – desde a pesquisa de mercado até a propaganda para conquistar o consumidor – não é puro desperdício de dinheiro, ou tempo. As empresas investem para que o retorno seja múltiplo do valor gasto. Então porque esses produtos são feitos para as minorias e não para o público real que tem a mesma necessidade de adquirir aquelas peças, aumentando o capital da empresa e fazendo com que ela tenha como investir mais no seu produto?
Meus argumentos favoritos são: modelos negros não combinam com inverno (ah, tá, então negro não sente frio), modelos brancos demais não combinam com verão (porque câncer de pele está super na moda!) e as roupas são fabricadas numa padronagem minúscula e surreal porque o caimento é melhor (o caimento da roupa depende da pessoa para qual ela será fabricada, logo se você faz a modelagem para uma pessoa anoréxica é óbvio que ela não vai ficar bem em alguém obeso e vice-versa!).
É claro, as pessoas devem ter o bom senso de usar o que favorece o seu tipo de corpo, seu estilo e até sua coloração pessoal (não em termos de raça, mas de tonalidades- frias ou quentes) mas o que adiantam as propostas tão amplas, que agradem a todos, se o padrão continua desproporcional à realidade? Vale lembrar que a talvez maior sex symbol de todos os tempos, Marilyn Monroe, vestia 46!!! Tamanho que algumas marcas nem ousam fabricar! Mesmo que a média entre as mulheres seja entre 42 e 46…
Citando um trecho do texto de Maria Alice Rocha para o Terra, “O grande debate, e talvez uma forte razão para a existência dos “racismos” seja a própria base que move a moda. Quanto mais exclusivo, quanto menos pessoas tenham acesso, mais precioso, mais fashion, mais bacana, mais cool. Ou seja, mais excludente?”, pergunto: Existe algo de maior exclusividade que o ser humano?! Ao mesmo tempo que todos temos coisas em comum, não passamos de uma intersecção, uma soma de características e valores, cujo resultado não se repete. Por quê não valorizar o que as pessoas possuem em comum, formando a maioria, e o que elas possuem de único e insubstituível, ao invés de forçar um conceito impossível?
Beleza é uma coisa tão subjetiva e, ainda assim, as pessoas tentam empurrar a fórmula para a perfeição, como se fosse algo concreto, um problema matemático: Cabelos loiros e lisos + olhos claros + 0% de gordura = pessoa perfeita.
Pessoa perfeita que aparece nas capas de revistas, mas que na realidade está longe daquele resultado conseguido através de maquiagens, roupas, luzes e do famoso Photoshop… Às vezes a pessoa não é “feia” sem todos esses artefatos, mas como estamos tão acostumados a ver aquela super produção, quando, por descuido ou propósito, ela mostra sua aparência verdadeira, consideramos “um bagulho”.
Sem contar pessoas que não tem absolutamente nada demais, mas por se enquadrarem nesse conceito são consideradas tops.
Ironicamente, o tema abordado na última edição do SPFW era justamente a diversidade.
Neste artigo da Ilustrada, Paulo Borges opina que o problema seja “resultado da exclusão cultural, social e econômica (…) há poucos negros preparados para a carreira de modelo”.
Qual era a preparação que Shirley Mallmann, a “primeira modelo brasileira tipo exportação”, ao ser descoberta trabalhando como operária em uma fábrica de sapatos?
Ah, tá…
Mas, sou obrigada a concordar quando ele diz que esse problema não é apenas na moda, mas em qualquer área. As pessoas são julgadas pela sua aparência, sim, mas deveriam existir limites para isso. A moda é uma forma de comunicação não-verbal, não de julgamento. As observações deveriam ser em torno do cuidado que uma pessoa tem consigo mesma, do quanto ela se gosta e se valoriza por isso, do tipo de pessoa que ela é e não do quão perto de se adequar a um padrão impossível de beleza ela está.
Até porque, como diria a importal Mademoiselle Gabrielle “Coco” Chanel: “A moda passa, o estilo permanece”!
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24 de janeiro de 2008 - 15:40
Eriquinha!! Parabéns!! Achei muito legal, o visual, os links do ladinho e, principalmente, o fato de você ter colocado um pouco das suas criações nos exemplos do ‘Poder dos acessórios’… você vai longe hein Eriquinha
muito boa idéia!
26 de janeiro de 2008 - 21:31
“As pessoas são julgadas pela sua aparência, sim, mas deveriam existir limites para isso. A moda é uma forma de comunicação não-verbal, não de julgamento.”
… é… Penso que a sociedade nos força a idéia de que nosso valor não é intrínseco. Nosso valor é extrínseco! Não está bom em ser o que se é. Nunca está.
Ou seja, nosso “valor” depende do que conquistamos, acumulamos, possuimos, temos e vestimos..
Eu sou porque eu ostento! Eu sou porque eu uso!
E como não nos ensinaram a olhar para dentro de nós mesmos e verdadeiramente perceber o precioso que cada um de nós é, vivemos e nos vemos através dos olhos dos outros.. tão somente os olhos dos outros..
Ou seja, só vemos o superficial, e nunca o profundo!
O que você diz sobre mim, afetará meu humor, meu jeito de ser, minha personalidade. Fale bem e me sentirei bem. Fale mal e me sentirei mal.
Não costumamos ser verdadeiramente livres, dependemos dos outros, através de vínculos sutis..
E por isso, nossa consciência julga tudo, todos e qualquer coisa… estamos sempre desconfortáveis com nós mesmos. Afinal, você é o que dizem, o que o reflexo diz.
Talvez, por não percebermos o brilho de nosso ser, e sim que este brilho é algo que se compra ou se conquista… seja o exemplo do que acontece com a maioria de nós que para de trabalhar, ou seja, que se aposenta.
Os de mais idade tem tendências a desenvolver neuras, manias e doenças que, na atividade, não desenvolveria.
Você começa a se sentir inútil. Não que deva ser, porque você pode sempre ser criativo e belo.
Um exemplo mais próximo da nossa realidade é quando ficamos ou ficávamos longamente em férias. Um certo incomodo costumava aparecer..
Uma pessoa verdadeiramente saudável deveria crescer com o tempo, seja o quanto for, que descanse…
Ouvi a história de que um homem muito sábio foi convidado para jantar por um homem muito rico que o admirava.
Mas, o sábio sempre andava maltrapilho. E não fazia questão de andar bem arrumado.
Ao chegar na porta do palácio. Foi barrado pelo segurança. O sábio disse que tinha sido convidado e o segurança disse que ele era louco e que se retirasse.
Inconformado, resolveu então se arrumar e ir.
Ao entrar e sentar na mesa, começou a alimentar seu fraque!
Ao verem sua atitude, ele lhes disse: Na verdade, foi o meu fraque que entrou, e não eu. É a minha roupa que foi convidada e que merece comer.
Que possamos enxergar aquilo que a vida é, despido de preconceitos, ou mesmo roupas.. hauehuaehehaue